


Ontem, ao xeretar um site sobre filmes, achei uma crítica sobre “O Labirinto do Fauno” que chamava a pequena Ofélia de esquizofrênica. Comecei então a me questionar se uma criança pode ser tachada de louca por imaginar. Seria o Bobby maluco também? E a cativante Amelie Poulain? Será que uma criança pode ser considerada louca até que amadureça e perca a capacidade de sonhar? Acho que não...
Após refletir um pouco mais sobre o assunto, pude perceber que talvez o problema não fosse a imaginação fértil de Ofélia, mas o fato de usar a fantasia para fugir da realidade. Enquanto ela sonhava para não enfrentar um padrasto fascista e uma mãe doente num mundo marcado pela guerra, Bobby viajava por ainda não ter se acomodado com as verdades impostas pela vida.
Mas se esse poderia ser o motivo pelo qual Ofélia foi chamada de esquizofrênica, então por que Estamira é considerada doente pela sociedade enquanto Amelie é apenas uma sonhadora? Assim como Ofélia, ambas fogem da realidade difícil em que vivem. Amelie se refugia da solidão por ter perdido a mãe e viver com um pai extremamente frio e Estamira prefere sonhar a conviver com a pobreza e com o fato de ter sido abusada sexualmente. A resposta para esta pergunta veio de uma conversa com um amigo no msn: “O que define a patologia não é o mecanismo, mas o impacto na capacidade de sociabilizar e na realização de atividades comuns!”.
Mas várias doenças podem causar os problemas citados anteriormente. Então, O QUE DEFINE AFINAL A LOUCURA? As pessoas simplesmente aceitam, como um dogma, que louco é aquele que não segue os padrões impostos pela sociedade. Mas que padrões são esses que mudam com o tempo, o lugar e as crenças das pessoas?????
Ahhh! Chega de pensar nisso! Se até mesmo Simão Bacamarte, o alienista, internou-se após estudar quase todos os habitantes de sua cidade, quem sou eu para decifrar quem é louco!?! Talvez todos nós sejamos... =P
Venho por meio deste comunicar a abertura oficial do blog "Como calar!?!".
Peço que não esperem apenas posts lúcidos, embora tenha sido essa a idéia original. Afinal, apesar de ser uma macaca diferente, com polegares opositores, inteligência e autoconsciência, sou acometida com freqüência pela cegueira branca, pela surdez seletiva e pela pseudo-mudez.
Prometo também não esperar a simples compreensão de vocês, pois, como bons simiescos de última geração, hão de ter opiniões divergentes das minhas.
Sendo assim,
Dancem macacos, dancem.
Atenciosamente,
Primeira-Macaca