Perfil:

Estela, São Paulo/SP, 20 e poucos anos, estudante de engenharia, questionadora, apaixonada por aviação, cinéfila, adoradora da boa música, viciada em literatura e filosofia

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Leio e recomendo:

- Literatura e Outras Partículas
- Blônicas
- Macho Pero No Mucho
- Chá de Tharântulas
- Idiossincrasias
- Menina-cabeça-de-liquidificador


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Estela

Capítulo 2 - Ménage à trois

Chegado o momento de Estela começar a freqüentar a escolinha, Aldo pediu a Edi que procurasse Roberto para registrar a menina. Moralista, ele não queria que sua neta fosse vítima de fofocas na escola de padres que freqüentaria. Aldo cogitou inclusive pagar alguém para registrá-la caso fosse necessário, mas felizmente não foi preciso. Edileuza conversou com a esposa de Roberto e prometeu nunca mais ter nada com ele caso ela o autorizasse a registrar Estela. Assim foi feito. Amém.

Ainda criança e alienada de tais problemas, Estela levava um vida de classe média alta, cheia de brinquedos e mimos. Certo dia, ao passear com sua babá pela rua, avistou, do outro lado da calçada, uma menina com uma boneca idêntica à sua. Extasiada diante de tal fato, correu até lá e perguntou o nome que a menina havia dado à sua “filha”. A pequena Bruna disse que ela se chamava Angelina. Embora tenha descoberto anos mais tarde que a caixa do brinquedo vinha com este nome em letras garrafais, Estela entrou em choque e nunca esqueceu desta cena ao perceber que, além de idênticas, as bonecas tinham a mesma graça.

Alguns meses depois, Estela e Bruna se reencontraram na escolinha e se tornaram amigas inseparáveis. Estela ia todo dia à casa de Bruna para brincarem de boneca e Bruna sempre ligava para saber se Estela havia feito a lição.

Bruna era meiga e carinhosa, mas ao mesmo tempo mimada e mandona. Ela adorava brincar de Barbie e fingir ser dona de uma creche com Estela. Bruna adorava viajar para o Guarujá com sua melhor amiga levando suas Angelinas. Mesmo novinha, ela recitava como ninguém o poema Alguém, de António Cândido Gonçalves Crespo.

Na mesma época, Estela conheceu Bruno.

Bruno era um lindo menininho loiro que tinha várias gatinhas aos seus pés. Ele adorava perfumes e amava brincar de casinha com Estela. Bruno era apaixonado por carros e dançava lambada como ninguém. Estela sempre achou que ele fosse gay, mas nunca teve coragem de perguntar.

Ainda no Jardim de Infância, Bruna e Estela começaram a namorar Bruno. Um namoro sem beijo, com a inocência das crianças, mas também com uma pitada de ciúmes e traição para melhor representar o ser - humano. Às vezes elas o pressionavam buscando que ele escolhesse uma das duas, em outras aceitavam dividi-lo. Certa vez, cansadas da indecisão dele, resolveram acabar com tudo, e descobriram que ele já estava com outra, Julia. Por fim, Estela e Bruno resolveram assumir um namoro monogâmico.



- Postado por: Primeira-Macaca às 17h10
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